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Postado originalmente em 2/6/2018 – Atualizado em 11/04/2019


Pode parecer que o enfesto é algo simples, uma vez que ele consiste em colocar o tecido em camadas para realizar o corte. No entanto, esta etapa é muito importante para que o corte e a costura sejam feitos de modo adequado.

Neste artigo falaremos sobre a preparação para o enfesto na indústria da moda e como você pode otimizar este processo em sua confecção. Confira!

 

Qual a importância de um bom enfesto?

Antes de falarmos sobre como é possível aprimorar a preparação para o enfesto, é preciso compreender por que este processo requer cuidado. Para começar, a técnica precisa ser feita de modo correto, de acordo com as orientações e necessidades de cada tecido.

Homem realizando o corte de tecido no enfesto.

Isso porque, é durante esta etapa que pode ocorrer a boa orientação do fio e o alinhamento de ourelas. Sendo assim, por meio dele é possível evitar que os defeitos cheguem nas etapas de corte e costura.

 

Quais são os melhores tipos de enfesto?

Existem tipos de enfesto diferentes e eles precisam ser escolhidos de acordo com algumas características como: equipamentos disponíveis, necessidades de produção, material têxtil utilizado, orientação do fio, alinhamento de ourelas, entre outras. Conheça agora os principais tipos de enfesto utilizados nas confecções.

Enfesto par

Também conhecido como acordeão ou ziguezague, no enfesto par as folhas são colocadas da seguinte forma: direito com direito e avesso com avesso. A vantagem é a velocidade, uma vez que este enfesto resulta em duas partes da peça, a esquerda e também a direita.

Enfesto ímpar

Ao utilizar este enfesto é necessário voltar ao início da mesa do enfesto para recomeçar a estender a folha seguinte, rendendo apenas em uma parte de cada peça. Costuma ser utilizado para cortes assimétricos.

Direito com direto em sentidos opostos

Tecidos que deslizam facilmente, como o veludo e o chenille, precisam ser dispostos com os sentidos em direções opostas, iniciando na mesma extremidade da mesa.

 

Isso evita o deslizamento entre as faces e, consequentemente, as falhas no processo do corte.

 

Além de saber qual tipo de enfesto utilizar, de acordo com a Cartilha de costurabilidade, uso e conservação de tecidos do Comitê Texbrasil Decor, é preciso tomar alguns cuidados durante esta etapa.

Separamos alguns deles aqui, veja:

  • Não misture lotes e nuances de tecidos, pois isso pode resultar em tonalidades distintas de tecidos enfestados. Caso seja necessário misturá-los, faça com que as cores sejam bem distintas para que não se misturem durante a costura.
  • O alinhamento das ourelas precisa ser feito com cuidado para que o tecido possa ser bem aproveitado. Caso haja a formação de dobras ou rugas, existe grandes chances de que ocorram deformações que não podem ser arrumadas durante a etapa da costura.
  • É preciso compreender que o número de folhas ou de camadas de tecidos não está relacionado somente a quantidade de peças a serem produzidas. Elas precisam considerar a altura da faca do corte, a espessura do tecido, além da habilidade do cortador.
  • É preciso observar que cada tecido é analisado separadamente, pois alguns deles não têm posições definidas pela direção do pelo, brilho ou estampas.

 

Como otimizar a preparação para o enfesto?

Não adianta tomar todos os cuidados necessários para um bom enfesto, se a preparação não for realizada adequadamente. Isso porque, sem ela, podem passar tecidos com defeitos e falhas que prejudicam a qualidade das peças e causam desperdícios.

 

Com a retomada da alta da produção, as empresas de confecção confundem as perdas de processo com os erros de processos.

 

Dessa forma, um volume muito grande de matéria-prima é perdido por falta de informação.

De maneira geral, as empresas se preocupam com as medidas das peças prontas/costuradas, porém não analisam a causa dos problemas, que costumam incluir variáveis em sua matéria-prima.

Informações básicas da matéria-prima são indispensáveis para um planejamento/programação de enfesto e corte em uma confecção.

Pessoas analisando gráficos de controle de qualidade.
Um controle de indicadores de qualidade sobre matéria-prima é fundamental para qualquer produção moderna.

Imagine como as confecções se beneficiariam se tivessem as informações reais e estáveis (largura, metros, área útil, gramatura, rendimento) de cada rolo de malha/tecido que está em seu estoque de forma on-line?

E se houvesse a possibilidade de conferir as informações do estoque e poder selecionar o melhor rolo, com o melhor aproveitamento para cada ordem de corte? Quais seriam os ganhos se não fosse mais necessário recolher um rolo do enfesto por defeitos de fabricação e variação de medidas? Todas essas possibilidades já são possíveis.

 

Como funciona a preparação para o enfesto na indústria 4.0?

Apesar do processo atual de muitas confecções ainda consistir na compra do rolo de malha/tecido e depois se basear nas informações da etiqueta gerada pelo fabricante, já existem soluções que aprimoram este procedimento.

Porém, o próprio fabricante aconselha relaxar/descansar estes artigos para que os mesmos voltem a seus estados normais (sem estiramento), por conta da alteração nas medidas da malha/tecido do rolo. Isso significa que tais medidas não são exatas e precisam ser verificadas com maior precisão para evitar falhas nos processos.

Com a automatização da preparação para o enfesto, assim que os tecidos chegam na confecção eles podem passar por uma Revisadeira que faz o alinhamento de borda do rolo, analisa o tecido em busca de defeitos e gera um relatório contendo informações como classificação dos rolos e identificação de defeitos.


Também pode ser utilizada uma Lavadora de Amostras para determinar o percentual de encolhimento da malha de uma forma muito mais rápida e eficiente. Por meio dela, os testes que eram realizados em 3 horas, passam a ser feitos em apenas 20 minutos, além de necessitar de uma quantidade pequena de tecido para obter os resultados.

Depois, o tecido pode passar pela Relaxadeira, que reduz o tempo de descanso da malha de 24/48 horas para apenas alguns minutos. Ele ainda elimina o processo de enfestamento e enrolamento da malha fraldada, além de informar o comprimento e largura real de todo o rolo.

Como resultado, o corte pode ser programado conforme as informações obtidas, incluindo comprimento e largura útil. Ou seja, nada de desperdícios, peças de segunda qualidade e prejuízos.

Entender esta compensação é o primeiro passo para se adequar ao conceito de Indústria 4.0, pois, sem a tecnologia adequada e um plano personalizado para automatizar todo o processo de controle de qualidade, relaxamento e coleta das variáveis, fica difícil ter as informações reais para um bom planejamento.

Banner do e-book: evolução da confecção 4.0.

É importante ressaltar que a alta tecnologia em máquinas e a automação industrial otimizam as variáveis e permitem criar um banco de dados de extrema importância para a rastreabilidade da matéria-prima nas confecções, tornando o processo mais seguro.

Muitas empresas no exterior já estão transformando completamente suas linhas de produção e se adaptando à indústria 4.0. Aqui no Brasil, algumas confecções já começaram a automatizar seus processos e, por conta dos benefícios que ele traz, elas já começaram a obter o retorno. Sendo assim, é importante estar atento às transformações do mercado e não ficar para trás.

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